omissão de alguma coisa que não se quer revelar

Considera que as coisas que saem do meu peito e se transformam em palavras baixas, quase cinzas de tão ruins, são frutos de dias desesperados. dias de acordar 10h e não parar de ver o futuro passando.

Esquece-as, por um momento. Desentende que elas saíram de mim. Nem eu acredito nisso.

Se lembra que só tenho 24 anos. Já tive 4 anos e não sabia direito como era o mundo. Ainda penso o mesmo. Minhas mãos ainda tateam no escuro na vontade maluca de ser quem eu sou, mas sem saber o quê. Lembra que, com essa idade, suas prioridades eram outras. Só quero sobreviver um dia após o outro sem retirar as reticencias das perguntas, porque tudo não tem fim, não tem porquê colocar a verdade delas, temos que omitir.

A vontade de lembrar e o sentimento angustiante de esquecer parece que formam minha existência. As regras, os métodos, as aulas e a esperança de dias naqueles corredores quentes me tiram do mundo em que vivo. E vivo por dinheiro, sempre. Vivo por associar minha existência a pagar minhas contas. Meus coração se enche de amargura ao ver quem não o faz (se não o faz, é porque não precisa).

Sinto que sou demais em coisas que pedem de menos. E não de uma boa forma. Onde estão meus projetos que não saem dos meus dedos? onde estão minhas ambições se os escondo em medos de não ser boa o suficiente?

Por isso, quando isso tudo se transforma em só em algumas ideias, em pequenas frustações às 17h, a cidade para. Meu coração fica amargo. Esqueço de quem eu amo. Lembro do quanto devo. Nada se mostra mais do que quem precisa de mim, e de como eu não consigo ajudá-los.

Esquece que não sei mais ser doce direito. Esquece que pedem de mim muito e eu entrego de menos. Coloca em percepção, pra esquecer, as horas que passo fome; isso está tudo ao meu alcance.

Esquece que sou alguém ruim, e que ser ruim está atrelado a mim.

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